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Dia de salão de beleza!

  • Foto do escritor: fatimalangbeck
    fatimalangbeck
  • 2 de nov. de 2018
  • 3 min de leitura

“Seja a mudança que você quer ver no mundo”. Mahatma Gandhi.

Desde de muito jovem me atraia a ideia de cabelo colorido, tatuagem, piercing. Porém é bom lembrar que nasci em uma das regiões do Brasil mais tradicional do país e para "melhorar" a minha situação a educação que recebi em casa não era muito voltada a essas modernidades, podemos dizer assim. Em fim, fazer algo do tipo era caracterizado como um ato de rebeldia ou marginalização social. Como eu era vista entre os familiares, a "santa" da casa. Pensar em pedir permissão para mudar a cor do cabelo seria um acontecimento catastrófico.

Os anos passaram, sai de casa, me tornei independente. Adivinha o que fiz na minha primeira oportunidade? Sim! Colori meu cabelo de azul. (essa foto acima) Ao sair do salão me senti a pessoa mais linda do mundo. Um sonho realizado... agora já podia riscar esse item da minha lista de desejos. Era simpático observar as reações das pessoas no meu trabalho (detalhe, minha roupa de trabalho tinha como cor predominante o amarelo com detalhes azul, que combinava muito bem com o tom do meu cabelo). Os meus colegas mais próximos alguns permaneciam sem fazer comentário outros em vez....


Alguns comentários.

Hei, com quem você esta andando? para fazer uma coisa dessa! ou Essas coisas não são para você ou O que esta acontecendo com você, você esta com algum problema?

Nunca imaginaria que mudar a coloração dos meus cabelos, geraria tantos questionamentos. Para mim não mudou nada, continuava a mesma pessoa. Pensava que no decorre dos dias os comentários diminuíssem, mas por quase 8 meses todos os dias ouvia de 3 a 4 comentários discriminatórios ou preconceituosos. Até que um dia foi a gota d'água. Depois de um dia bem cansativo no trabalho passei em um supermercado para comprar algo para o jantar. Ao entrar escuto um grito de uma senhora, ela já tinha feito suas compras e sai do mercado: "Olha minha filha, essa menina de cabelo azul". Nessa hora me ferveu o sangue. Olhei para aquela senhora, e percebi que ela tinha luzes no cabelo. Agora me diz, qual é o problema eu ter cabelo azul? Sei que não nasci dessa cor, mas também ela não nasceu loira. Saí do mercado bufando e fui para o salão tirar aquela cor.


Agora sim, faço parte da sociedade.

É obvio que tirando o azul fiquei loira. No dia seguinte no trabalho fui com espírito preparado para ouvir novos comentários. Para minha decepção ou podemos dizer alegria aqueles colegas que antes não se manifestavam agora faziam questão de dizer algo: Minha nossa, como você esta bonita! ou agora sim, você está linda! Ouvindo essas palavras só me confirmava, vivemos em um sistema social onde o diverso (aquilo que foge da "normalidade") não é aceito e sim rejeitado. Mas, quem dita essas normalidade? Esses padrões? Para que serve mesmo?

Uma coisa ficou claro, para mim dessa experiência, nunca permitirei que um condicionamento social me impeça em fazer algo que eu queira fazer. Pois só assim estarei mantendo a minha liberdade arbitrária.


Uma nova fase

A medida que obtemos conhecimento sem nos perceber modificamos nossos hábitos.

Nos últimos meses estou fazendo uma pesquisa científica para elaborar minha tese de conclusão de curso. Escolhi estudar politicas de adaptação a mudanças climáticas em relações internacionais. Ate aqui nada de novidade, não é mesmo..kkk

Hoje foi o dia que tinha marcado no salão para colorir meu cabelo, pois já não queria ficar mais loira. Tinha escolhido desta vez a cor marsala (algo tipo violeta). Tudo decidido, vamos lá! Fui chamada ao lavatório, começaram a mexer no meu cabelo, a cabeleireira fazia comentário de admiração o quanto estava comprido e me perguntava se estava segura se queria mesmo colori.

Sem me dar conta, iniciei um raciocínio: Essa minha ação, em questão de custo benefício para a sustentabilidade do planeta onde vivo, era viável? estava consciente da quantidade de química que iria colocar na minha cabeça? Da quantidade de poluição que iria gerar, com as inúmeras vezes ao lavatório para retirar o excesso de produto? Como ela tinham me perguntado, estava mesmo segura no que iria fazer?

Em um impulso respondi: "Sabe, mudei de ideia quero cortar, vamos tirar o máximo do que ainda tenho loiro no meu cabelo. Pois se realmente quero ser uma pessoa sustentável, não posso me permitir o luxo de contribuir com tamanha poluição".

Es que chego em casa e novamente me olho no espelho, passo a mão entre os meus cabelos e... Eita, como está curto... Eita... eita... o que eu fiz? Por que fiz isso? Aquela cor era linda, eu iria ficar show, que loucura eu fiz!!! Porém passado alguns segundo uma certeza me invade. Essa pessoa que estou vendo no espelho já não é a mesma de um ano atrás. Como Gandhi mesmo nos aconselha somos a mudança que queremos ver.




 
 
 

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