Esposa perfeita!
- fatimalangbeck

- 22 de out. de 2019
- 2 min de leitura

Desde muito cedo, ouvia quando fazia algo e aquilo agradava a alguém, podendo ser homem ou mulher, a fala era a mesma: "Minha nossa, já podes casar" , "Você deve aprender a fazer isso, se não, você não vai conseguir ter um marido" ou "Há, não te preocupes, quando casar ela se ajeita" Aff... como me irritava ouvir isso.
Porém na minha casa a frase clássica da minha mãe era: "Menina, você tem marido? tens filhos para dar de comer? então, não tem nada que te impeça! ou "Qual é o problema? você não tem ninguém que dependa de você, você não é casada e nem tem filho!" E com essa mentalidade fui educada, podemos dizer de modo bipolar, o objetivo era sermos independente, o fato de ter um marido não daria o "norte" da nossa vida, mais a busca de sermos a melhor versão de nós mesmos. Ao mesmo tempo, deveríamos ser capazes, se necessário, sermos a perfeita dona de casa e a mãe exemplar. Assim, a partir dos meus 12 anos já iniciava a "preparação" para a vida adulta. Uma tarefa doméstica em minha responsabilidade, a cada férias escolares eu fazia cursos extras, bordado, crochê, macramê, etc. Nas datas comemorativas cada membro da família sabia o que deveria fazer (a minha função era as sobremesas e saladas) paralelamente, você era estimulada a desenvolver o seu conhecimento intelectual, pensar em não cursar a faculdade, estava mesmo fora de cogitação.
Quando cheguei na fase adulta, me dei conta no quê tinha me tornado. Uma mulher, que alcançou a independência ( emocional, afetiva, econômica, intelectual) e me perguntava: Ok! Isso tudo serve mesmo, para quê? Por muitos anos ser o que sou, me incomodava, pois me sentia fora da "normalidade". Quando olhava ao meu redor, algumas pessoas me dizia: "Hei, vê se você deixa de ser tão independente, pois assim vai acabar sozinha! ou Para que você estuda tanto? Nenhum homem gosta de mulheres mais inteligente do que eles." Foi através de um fato que vivenciei esses dias que me fez responder a esta pergunta.
Me solicitaram fazer uma coisa, devido a maneira como foi feito o pedido, remeteu-me a realidade das mulheres do século 17 e como meu sangue ferveu... Como pode? estamos nos século XXI e só pelo fato de ser mulher ainda sou vista como uma serviçal a mercê das ordens do homem alfa! Putz...
E foi neste momento que obtive a resposta para o questionamento que me acompanhou por muitos anos.
Sim, fiz o que me foi solicitado, porém dentro de mim invadiu uma certeza: "Como sou grata pela criação que minha mãe me deu, pois agora em uma situação como essa, tenho o poder de escolha, pois tenho conhecimento, eu sei fazer o que estão me pedindo, porem sou livre em fazê-lo, não constrangida por não ter opção." Isso não tem preço!!!




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